18 jun 21

PODCAST UDC #2 Pesquisa Direcionadores de mudança na cafeicultura

 

Podcast Universidade do Café Brasil -Uma nova forma de comunicar nossas pesquisas

Olá! Apresentamos neste Podcast a pesquisa Direcionadores de Mudança na Cafeicultura, uma pesquisa que realizamos em 2015. Como resultado do dinamismo da cafeicultura, alguns direcionadores mudaram desde então. Com o objetivo de analisar essas novas tendências, a UDC Brasil consultou especialistas e gerou uma visão reformulada, destinada a introduzir outros temas na discussão das transformações do agronegócio café.

Após o início da pandemia uma parcela significativa da população mundial teve que alterar os seus hábitos de consumo, o que gerou mudanças no ambiente do agronegócio do café. A análise do sistema agroindustrial (SAG) permite verificar como cada segmento foi afetado. A partir desta metodologia identificamos os principais direcionadores de mudanças.

Iniciaremos a análise pelo consumidor final, que tem um papel fundamental nos sistemas agroindustriais. Na pandemia sua importância aumentou ainda mais, uma vez que parte relevante do consumo fora do lar foi substituído pelo consumo doméstico. Ao se considerar as várias categorias de consumidores, vale ressaltar o chamado consumidor barista, grupo formado por consumidores que passaram a substituir o consumo em bares, restaurantes e cafés pelo consumo caseiro. Ao trazer a cafeteria para o ambiente doméstico eles alteram o padrão de distribuição. São consumidores exigentes, que demandam qualidade, rastreabilidade, informação e sanidade nos cafés que consomem.

Sobre o mercado internacional podemos ressaltar que está se consolidando um mercado sem precedentes em regiões fora da esfera tradicional de consumo. Regiões como Oriente Médio, Norte da África, Sudeste Asiático, Indonésia e China juntas somam cerca de 2,4 bilhões de pessoas. São regiões com potencial de crescimento em face da numerosa população e aumento de renda. Os efeitos de crescimento percentual ainda que pequenos representam grandes volumes no consumo do café.

A tecnologia informacional foi destacada como um direcionador a partir do impulso provocado no e-commerce e de start-ups de logística. As redes sociais passaram a ser opções de comercialização direta entre produtores e consumidores.

Na indústria brasileira, os direcionadores passam pela diversificação das vendas por meio de canais alternativos para diferentes segmentos de mercado.

Na produção agrícola os direcionadores de mudança estão relacionados ao atendimento das novas exigências dos mercados consumidores como os fatores socioambientais e de qualidade. A pandemia trouxe a necessidade de implementação de rígidos protocolos de higiene. Este é um desafio, principalmente na época da colheita. As atividades de Assistência técnica e extensão rural não foram interrompidas, mas sempre que possível são realizadas remotamente.

Observa-se um movimento de aumento de volume de vendas diretas de produtores do Brasil para cafeterias internacionais, de modo particular pequenas cafeterias que operam no segmento de cafés especiais.

Em relação à indústria de insumos, as restrições aos princípios ativos de defensivos por países importadores é um direcionador de mudança relevante. A perda do valor do real frente ao dólar teve múltiplos efeitos na produção, de um lado aumenta o valor do produto exportado, de outro, encarece os insumos, reduzindo sua utilização.

Como considerações finais, podemos dizer que ainda é cedo para se ter clareza das tendências no cenário pós pandemia. No entanto, algumas percepções podem ser destacadas.

Na tipologia dos direcionadores temos macrotendências e microdirecionadores.

Dentre as macrotendências citamos a questão dos consumidores. Nos parece clara a sua influência nas estratégias das indústrias e distribuidores. O chamado consumidor barista cresce no segmento de cafés especiais. Também cresce a diversificação nas linhas de cafés ofertados, atendendo a todos os gostos dos consumidores. O mercado internacional, direcionado a regiões e países consumidores não tradicionais parece se constituir em tendência que pode mudar o eixo de vendas no médio prazo.

A Tecnologia Informacional auxiliou a alavancagem de vendas via e-commerce.

No que diz respeito aos microdirecionadores destacamos:

-Exigências de qualidade, origem conhecida e sanidade.

-E a Desvalorização do real frente ao dólar abrindo portas para substituição de insumos importados por produtos biológicos nacionais.

Como se vê as modificações dos direcionadores de mudanças no sistema agroindustrial do café passaram por alterações causadas por preferências dos consumidores, pandemia, mudanças na oferta, diversificação de produtos, avanço tecnológico, barateamento de máquinas de preparo de café entre outras. Essas mudanças podem permanecer para o futuro com ou sem alongamento das restrições da pandemia. É uma questão de continuarmos observando.

Esta pesquisa foi publicada no volume 8 dos Cadernos da Universidade do Café. Este e os demais volumes estão disponíveis para download em nosso site universidadedocafe.com


Voltar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *