26 maio 21

Podcast UDC #1 Mudança Climática, agricultura e o café: Identificação dos rumos da pesquisa

 

 

Podcast Universidade do Café Brasil -Uma nova forma de comunicar nossas pesquisas

Olá! Apresentamos a pesquisa Mudança Climática, agricultura e o café: Identificação dos rumos da pesquisa. Trabalho realizado em 2018.

Nessa pesquisa verificou-se que apenas 2% das pesquisas cafeeiras no Brasil estavam relacionadas ao tema Mudança Climática.

Isso motivou a equipe de pesquisadores a desdobrar o assunto e mostrar o que tem sido feito pelos cientistas brasileiros nesse tópico.

O trabalho confirmou que a pesquisa sobre os efeitos das mudanças climáticas na agricultura caminha a passos lentos no Brasil, deixando-o atrás de países como Guatemala, Colômbia e México.

Muitos pesquisadores ainda resistem em aceitar que a ação antrópica está interferindo no clima do planeta.

A evolução da temperatura média global da superfície terrestre vem subindo desde o ano de 1880, como pode ser visto nos gráficos apresentados na pesquisa completa.

Após o início da segunda guerra mundial começa um crescendo que nos anos 2016 e 2019 mostram as temperaturas médias mais altas dos últimos 140 anos.

A agricultura, se não o maior, é um dos setores econômicos mais vulneráveis às mudanças do clima.

Uma característica predominante no Brasil é o começo do florescimento do cafeeiro após as chuvas do mês de setembro.

Em 2020 regiões que tiveram chuvas esparsas e temperatura acima de 33ºC no período de florescimento registraram abortamento de botões florais.

Técnicos de campo relataram problemas que influenciarão na safra futuras.

Devido à ausência de chuvas, um efeito colateral observado é que o aumento de matéria seca nos campos, somado à baixa umidade do ambiente facilita a dispersão de fogo nos cafezais.

Há produtores que chegaram a perder mais de 20% de lavoura cafeeira em incêndios, bem como outras áreas e até reservas legais.

A ausência de chuvas também atrasa a agenda de fertilização das lavouras, fato que pode afetar o desempenho das plantas por até duas safras consecutivas.

Foram identificados estudos mostrando que temperatura e disponibilidade hídrica são os fatores que mais afetam a produtividade do cafeeiro.

Com o abastecimento de água adequado por meio de sistemas de irrigação, manejo fitossanitário e outras estratégias é possível viabilizar a produção de café em regiões com temperaturas médias elevadas.

A Empresa de Pesquisas Agropecuárias de Minas Gerais -EPAMIG, tem linha de pesquisas buscando tecnologias de melhoramento genético para permitir que se cultive café arábica em ambientes com altas temperaturas e baixa umidade relativa como na região semi-árida do estado de Minas Gerais.

O sistema de integração agroflorestal com café é uma alternativa para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, pois o sombreamento pode levar a uma redução de 2º a 3ºC na temperatura, além de auxiliar na redução da velocidade do vento e na manutenção da umidade relativa do ar.

São necessárias mais pesquisas que comprovem o efeito da alteração do microclima, como também do comportamento de doenças como a ferrugem que podem ser favorecidas com o ambiente sombreado.

As pragas e doenças precisam ser consideradas quando falamos em mudança climática, uma vez que o ciclo dos patógenos estão intimamente ligados com o ambiente.

Ainda não se sabe os impactos que podemos esperar, logo, é necessário a união de especialistas multidisciplinares para desenvolverem estratégias de adaptação relacionadas as mudanças que podemos esperar no cenário fitossanitário do cafeeiro.

As pesquisas que têm sido desenvolvidas em relação a mudança climática no Brasil identificadas neste estudo estão concentradas principalmente em 8 tópicos, sendo os três mais estudados:

  • zoneamento de riscos agrícolas,
  • a fisiologia da cultura e
  • o sombreamento.

 

Estes trabalhos estão distribuídos em 14 estados, sendo São Paulo responsável por 40% e Minas Gerais 27%.

As oito principais instituições envolvidas são a Embrapa, UFLA, CEPAGRI-UNICAMP, UFV, USP, IAC, UFES e INPE, representando 63% dos pesquisadores envolvidos.

Considerações finais

No Brasil ainda não existe um grupo consolidado estudando mudanças climáticas na cafeicultura e muitos cientistas atuam de forma descentralizada dentro de suas instituições.

Existe uma carência de estudos em todas as áreas, sendo a principal referência do ano de 2004 um estudo que necessita ser atualizada.

Não há uma ligação entre os pesquisadores nacionais e redes de pesquisadores internacionais.

Assim, o Brasil ainda tem um longo caminho de mudanças e adaptações para percorrer a fim de mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

A pesquisa completa foi publicada no Volume 9 dos Cadernos da Universidade do Café está disponível para download na página: http://universidadedocafe.com/publicacoes/cadernos-universidade-do-cafe-vol-9-2019/


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