2022

Entrevista no Programa Bem da Terra

A professora e pesquisadora do PENSA e da Universidade do Café, Christiane Leles Rezende De Vita, participou hoje do programa Bem da terra, conduzido pela Renata Maron no Canal Terra Viva. O tema da entrevista foi a pesquisa recém concluída sobre Equilíbrio de gênero no agronegócio café.

O programa de hoje, 5/04/22, está no link: https://www.youtube.com/watch?v=7rNOuinCS1k

A pesquisa completa está disponível para download na página da Universidade do Café: universidadedocafe.com http://universidadedocafe.com/publicacoes/cadernos-universidade-do-cafe-vol-12-2022/


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2022

Estão abertas as inscrições para a edição de 2023 do International Masters in Coffee Economics and Science Ernesto Illy!

Trata-se de um mestrado internacional, organizado por um renomado grupo de líderes em educação: Universidade de Trieste, Universidade de Udine, International Superior School of Advanced Studies of Trieste (SISSA), AREA Science Park, illycaffè SpA e a Fondazione Ernesto Illy.

O curso tem como objetivo central oferecer formação multidisciplinar sobre o mundo do café, e para isso englobará todo o ciclo produtivo desde o seu cultivo até os serviços de alimentação, incluindo-se a logística, trading e o processo de industrialização

São também metas do Curso, oferecer, consolidar e desenvolver relações entre as Universidades e o mundo dos negócios, transferindo o conhecimento tecnológico e cultural da illycaffè, o legado moral e científico do Dr. Illy e o papel de Trieste como a cidade exemplo na produção de cafés diferenciados.

O curso possui 400 horas de aulas segmentadas em 9 módulos didáticos: 5 econômicos e 4 científicos.

As aulas serão ministradas via internet de janeiro a novembro de 2023. Haverá um período de 6 semanas (setembro a meados de outubro) em Trieste, Itália, para aulas práticas presenciais.

Todas as aulas serão em inglês.

Investimento: € 15.000,00 (euros)

Auxílio Financeiro: A Fundação Ernesto Illy oferecerá a um limitado número de Candidatos um auxílio financeiro para cobrir custos totais ou parciais para frequentar o programa de mestrado. Para concorrer o/a aluno/a deverá enviar os seguintes documentos em língua inglesa:

– Carta de auto apresentação, explicitando interesse e motivação para realizar o curso (máximo de 2 páginas);

– Currículo em formato Europass com fotografia.

Enviar para o E-mail: master@fondazioneilly.org

Pré – requisitos para concorrer à bolsa de estudos:

  • Excelente desempenho acadêmico.
  • Forte envolvimento profissional com atividades cafeeiras e interesse em se desenvolver nessa área.
  • Fluência na língua inglesa.

O prazo para solicitação de bolsa de estudos será até 15 de julho de 2022.

Para mais informações adicionais sobre o curso: https://fondazionernestoilly.org/en/activities/educational-projects/master-in-coffee-economics-and-science/

Email:  master@fondazioneilly.org


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2022

EQUILIBRIO DE GÊNERO NO AGRONEGÓCIO CAFÉ

Especialmente neste Dia internacional da Mulher a Universidade do Café Brasil/PENSA tem a satisfação de divulgar a pesquisa recém concluída sobre desequilíbrio de gênero no agronegócio café.
O documento tem caráter propositivo, com sugestões de estratégias públicas e privadas que podem efetivamente mitigar efeitos da desigualdade de gênero.
Esta pesquisa foi conduzida pela equipe da Universidade do Café Brasil, Prof. Decio Zylbersztajn, Prof. Samuel Ribeiro Giordano e Profa. Christiane Leles, com colaboração super especial da Profa. Raquel Santos Soares Menezes, Josiane Cotrim e Amanda Nunes.
A pesquisa está publicada na 12ª. edição dos Cadernos da Universidade do Café, disponível para download no link: http://universidadedocafe.com/publicacoes/cadernos-universidade-do-cafe-vol-12-2022/
Desejamos uma boa leitura!


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2021

Podcast # 7 2021- Externalidades no fornecimento de café para a illycaffè

 

Em 2002 a Universidade do Café Brasil realizou a pesquisa externalidades no fornecimento de café para a illycaffè.

Em economia, externalidades são os efeitos colaterais de uma decisão sobre aqueles que não participaram dela, ligado aos efeitos positivos ou negativos, gerados a partir de uma transação.

Existe uma externalidade quando há consequências para terceiros que não são levadas em conta por quem toma a decisão. A externalidade positiva surge quando existem ganhos difusos a partir de uma transação.

A pergunta da pesquisa de 2002 foi se haveria externalidades positivas, monetários ou não para os fornecedores da illycaffè nas outras transações que não as realizadas com a illycaffè.

Os dois dos temas tratados na pesquisa foram

– As estratégias da illycaffè

– Pesquisa realizada com os fornecedores

A illy desenvolveu diversas estratégias para incentivar a produção de café de qualidade no Brasil. Três das estratégias desenvolvidas pela illy no Brasil foram importantes:

– Compra direta do produtor,

– Promoção da qualidade com a instituição de um prêmio de qualidade do café para expresso, Prêmio Ernesto Illy de Qualidade Sustentável do Café para Espresso, que já está em sua 30ª. Edição,

– Pagamento de preços motivadores como incentivo para os produtores que atingissem o grau de qualidade desejado.

Para garantir seu objetivo, a illycaffè estruturou e desenvolveu uma rede de parceiros no Brasil:

– Experimental Agrícola do Brasil: Opera compras, controle de qualidade dos cafés, exportação e extensão tecnológica, com os agrônomos.

– ADS: Opera a Comunicação, o Clube illy do Café e organiza o evento de premiação para produtores.

– Universidade do Café Brasil coordenada desde 2.000 pelo PENSA-USP O Centro de Conhecimentos em Agronegócios.

A UdC Brasil tem como meta gerar e difundir conhecimentos para o agronegócio café.

Nestes 18 anos desde a pesquisa inicial e esta reavaliação, outras empresas seguiram a estratégia da illy.

A demanda por cafés de qualidade aumentou.

Um número crescente de produtores também aumentou a oferta.

Apareceram outros concursos de qualidade, promovidos por diversas associações e organizações, muitos deles seguindo a estratégia pioneira da illy.

Ou seja, cada vez mais a disputa pelos cafés de qualidade se acirra, exigindo uma sintonia mais fina entre empresas e seus fornecedores para atingir suas quotas e necessidades.

A Pesquisa realizada com os fornecedores teve como objetivo avaliar ganhos diretos e indiretos (externalidades positivas) em relações posteriores à comercialização com a illy.

Os cafeicultores comercializam com a illycaffè apenas uma parcela do café que atenda ao padrão exigido pela empresa e o restante é comercializado com outros compradores.

Na época da pesquisa, 2002, a illy comprava apenas o tipo peneira 16 acima, o que gerava o chamado “fundo de peneira” com café peneira 15 e demais.

A principal pergunta era se a reputação gerada por ser um fornecedor da illycaffè poderia facilitar as negociações do restante do café.

Para responder a pergunta de pesquisa foram realizadas entrevistas com 46 fornecedores da illycaffè de diversas regiões selecionados ao acaso. Entre os resultados foi identificado que para a maioria dos entrevistados (82,5%) ser um fornecedor de café para illycafè era um diferencial no mercado, comparado ao recebimento de um certificado de qualidade.

A externalidade positiva era percebida, também, durante a negociação do restante do café de qualidade.

O contexto em 2.021 é diferente, pois o mercado de cafés de qualidade se desenvolveu consideravelmente. A oferta de cafés de qualidade cresceu, como também a busca por cafés de qualidade a partir de compradores nacionais e internacionais, que, a partir das ações da illy, tiveram o Brasil reconhecido como um fornecedor de cafés de qualidade e não apenas um produtor de commodities para fazer volume em blends.

Nas entrevistas realizadas para este Boletim foi destacado que o ganho indireto por ser um fornecedor da illy já foi muito forte, atualmente a maior referência é fornecimento contínuo ao longo dos anos.  No início eram poucas as empresas que compravam café de qualidade regularmente. Por esta razão produtores mais antigos valorizam mais a parceria.

Cafeicultores mais jovens, que não viveram aquela época, já encontraram o mercado muito competitivo por cafés de qualidade. Assim reduziram-se as externalidades de ser um fornecedor illy.

A illy teve um papel importante no desenvolvimento do mercado, tanto por mostrar aos cafeicultores como produzir cafés de qualidade, quanto por chamar a atenção dos demais compradores para o fato que o Brasil pode produzir qualidade em grandes quantidades.

Universidade do Café Brasil criada em 2.000 teve o objetivo foi levar conhecimento sobre como produzir café de qualidade.

Foram feitos cursos abertos para mais de 10.000 pessoas.

A compra contínua de cafés de qualidade, com prêmio de preço, segundo os fornecedores, estimulou o investimento em qualidade, pois ano a ano eles sabiam que teriam para quem vender a safra a um preço diferenciado.

Novas conclusões

Ser fornecedor illy gera externalidades positivas para os cafeicultores. Ou seja, ser fornecedor da empresa é como ter um certificado de qualidade que “contamina” de forma positiva as demais transações feitas pelo produtor.

Os preços no mercado spot estão mais  altos que  os valores  negociados  antecipadamente este ano devido a problemas climáticos . A situação já foi o inverso por repetidas vezes.

Produtores experientes sabem que o mercado flutua, já os mais jovens podem se sentir tentados a romper com a tradição.


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2021

Boletim de pesquisas: As águas residuárias do café e o manejo de resíduos do cereja descascado

Como continuidade a divulgação das pesquisas da Universidade do Café Brasil/PENSA realizadas ao longo do tempo, neste mês revisitamos o tema do manejo dos resíduos do cereja descascado.

O arquivo está disponível para download no link abaixo.

Boletim de pesquisas # 8 _ As águas residuárias do café e o manejo de resíduos do cereja descascado


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2021

Podcast #6 2021: Pesquisa tecnologias disruptivas e o café

 

 

 

Podcast Universidade do café Brasil -Uma nova forma de comunicar nossas pesquisas

 

Inovações na agricultura foi o tema da pesquisa desenvolvida em 2018 pela Universidade do Café/PENSA. Foram abordadas as inovações chamadas por nós de disruptivas, que são aquelas que causam sensíveis impactos e mudam a forma de produzir.

Na pesquisa citamos 5 direcionadores do futuro da cafeicultura. Por razões de espaço e tema, trataremos de 2 destes direcionadores  neste Podcast:

  1. a) o vetor tecnológico das agritechs na agricultura
  2. b) conectividade no meio rural pós pandemia.

 

Começaremos com o Avanço das Agritechs na Agricultura

As agritechs representam uma categoria ampla de empresas cujo denominador comum é o oferecimento de novas tecnologias que impactam os modos tradicionais de produção.

Algumas tecnologias podem ser consideradas disruptivas. Utiliza-se o conceito de disruptivo em contraposição ao evolutivo, ou seja, aquelas tecnologias que provocam uma eventual ruptura com os padrões, modelos ou tecnologias já estabelecidas. Ou seja, fizemos uma reflexão sobre as influências que essas mudanças poderão causar na agricultura em geral e na cafeicultura em particular.

As nossas indagações são: como a introdução das inovações implicarão em transformações para o sistema agroindustrial do café? Qual o perfil dos produtores capazes de assimilar estas tecnologias? Como será o desafio da educação e da capacitação dos produtores frente a essas mudanças?

A pesquisa Radar Agtech 2020/21[1] mostrou o crescimento exponencial da quantidade de agritechs nos últimos anos. Foram identificadas 1.574 agtechs, o que representa quase 21 vezes o número identificado em 2016. Destas, 42% oferecem produtos ou serviços para o segmento dentro da porteira, sendo a principal categoria, sistemas de gestão de propriedade rural. Já o segmento pós-porteira concentra 46% das agtechs. Neste caso a principal categoria se refere a Alimentos inovadores e novas tendências alimentares.

 

Sobre os impactos esperados no Agronegócio do café a partir das tecnologias inovadoras, temos:

  • A geração de dados em grandes quantidades que poderão ser transformados em informação para a produção.
  • A otimização do uso de fertilizantes e de água a partir do conhecimento mais detalhado da propriedade.
  • Precisão na previsão de produção e produtividade por talhão.
  • Redução da dependência de bancos tradicionais após o início de serviços de análises financeiras e opções de crédito para o produtor oferecidos pelas start-ups.
  • Maior poder de decisão dos cafeicultores sobre suas estratégias de venda.
  • Ou seja, a melhoria da eficiência dos fatores de produção: terra, capital e trabalho como também da gestão financeira da empresa rural.

Também fora da porteira há avanços, pois alimentos inovadores e novas tendências alimentares podem impactar o mundo pós-pandemia com novas formas de se consumir, comprar e desfrutar o café trazendo pontos positivos para o Sistema como um todo.

Por exemplo, o conceito de mercearia on-line aproxima o produtor do consumidor final doméstico. Após a pandemia cresceu o conceito de barista doméstico, no qual consumidores adquirem equipamentos e preparam seus cafés de acordo com seu gosto. Esse fato se transmite, ao longo do sistema agroindustrial do café como um todo, impactando também os setores de produção e insumos.

 

Agora, falando sobre a conectividade no meio rural pós-pandemia

Uma pesquisa da Embrapa Informática, em parceria com o SEBRAE, intitulada “Agricultura Digital no Brasil. Tendências, desafios e oportunidades” mostra que dentre as tecnologias digitais utilizadas por produtores, em primeiro lugar estão aplicativos ou programas para obtenção ou divulgação de informações da propriedade e da produção; seguido por programas para a gestão da propriedade e em terceiro, serviços de GPS. 15,9% dos entrevistados não utilizam de nenhuma tecnologia digital no processo produtivo.

Nota-se, portanto, predominância do uso da internet para divulgação e obtenção de informações, enquanto que a tecnologia embarcada, sensores de campo, sistemas automatizados e robotizados ainda ficam com percentuais menores de uso.

Como principais dificuldades para acesso e uso das tecnologias estão:

– Problemas ou falta de conexão à internet;

-Falta de conhecimento para as tecnologias mais apropriadas;

-Falta de comprovação dos benefícios econômicos.

– O custo das tecnologias e dos prestadores de serviços.

 

Como Conclusões, temos que o desenvolvimento tecnológico tem ocorrido de modo rápido possibilitando inúmeros avanços, desde que os produtores conheçam as tecnologias e saibam o que é e como é oferecido. Há um potencial muito positivo para o apoio tanto ao produtor como aos demais agentes ao longo de todo o sistema agroindustrial, mas as principais funções para as quais a tecnologia é utilizada ainda estão longe de ter uma boa representatividade nos itens tecnológicos.

Para concluir referimo-nos à pesquisa da Universidade do Café Brasil/PENSA “A nova assistência Técnica agrícola”[2]  que explicita o porquê da necessidade de se manter e ampliar a assistência técnica e extensão rural, principalmente pública, para dar o suporte necessário aos produtores sejam eles grandes, médios ou familiares, principalmente nas questões da agricultura 4.0 e 5.0 sem desprezar os temas ainda básicos na agricultura.

A pesquisa “Tecnologias disruptivas e o café” foi publicada no Volume 9 dos Cadernos da Universidade do Café, disponível para download em: http://universidadedocafe.com/publicacoes/cadernos-universidade-do-cafe-vol-9-2019/

 

[1] FIGUEIREDO, Shalon Silva Souza; JARDIM, Francisco; SAKUDA, Luiz Ojima (Coods.) Relatório do Radar Agtech Brasil 2020/2021: Mapeamento das Startups do Setor Agro Brasileiro. Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens: Brasília, 2021.   Disponível em: www.radaragtech.com.br>. Acesso em 28 de Agosto de 2021

[2] Disponível em: http://universidadedocafe.com/publicacoes/cadernos-universidade-do-cafe-vol-10-2020/


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2021

Boletim de pesquisas: Externalidades no fornecimento de café para a illy

Apresentamos neste mês o Boletim de pesquisas nº. 7 a pesquisa Externalidades no fornecimento de café para a illycaffè. Esta é uma iniciativa da Universidade do Café Brasil/Pensa com intuito de divulgar as pesquisas realizadas ao longo do tempo.

O arquivo está disponível para download no link abaixo.

Boletim de Pesquisas #7 – Externalidades no fornecimento de café para a illy


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2021

Podcast #5 Pesquisa: Perfil do Produtor de Café do Brasil

 

Podcast Universidade do café Brasil – Uma nova forma de comunicar nossas pesquisas

Em 2008 a Universidade do Café Brasil realizou a pesquisa Perfil do Produtor de Café do Brasil. Um trabalho com caráter exploratório, seu objetivo era caracterizar o perfil do cafeicultor brasileiro, com os seguintes determinantes:

  • características do produtor e da produção de café;
  • desempenho do negócio;
  • percepção de risco do negócio;
  • influência da família no negócio e
  • tendências nas relações de comercialização.

 

Obteve-se uma amostra não-probabilística de 410 produtores entrevistados, indicados por empresas, cooperativas e associações de produtores.

A pesquisa foi realizada há 13 anos, mas é interessante observar as mudanças ocorridas e destacar pontos importantes identificados.

Resultados encontrados na pesquisa:

Relacionadas à produção:

Do total dos entrevistados, quase a totalidade deles era proprietário (87%), sendo 5% arrendatários e 6% parceiros.

Os dados do Censo Agropecuário do IBGE de 2017 apresentam dados semelhantes quanto a  lavouras perenes:

81% dos produtores são proprietários e apenas 6% das propriedades são arrendadas.

-69% dos produtores não adotam colheita mecanizada. Uma pesquisa de 2018 do CafePoint/CNA identificou que mais de 73% dos entrevistados utilizavam métodos manuais e semimecanizados de colheita de café.

Ou seja, a mecanização na colheita ainda não é realidade na maior parte das regiões cafeeiras. Isto se deve, em parte, às condições topográficas, pois o café plantado em montanhas apresenta dificuldades para a mecanização

Quanto ao processamento pós-colheita, do volume total de café da amostra, observou-se que 74% era beneficiado pelo método natural, 18% descascado e 8% despolpado.

Uma pesquisa recente do SEBRAE  de 2021 identificou que:

  • 39% dos produtores entrevistados produzem cereja descascado,
  • 28% desmucilado e
  • 24% realizam algum processo induzido de fermentação.

Esta mesma pesquisa indicou que 44% da produção de 2019 foi de cafés especiais, o que revela uma tendência dos produtores em investirem mais na produção de cafés de qualidade.

Interessante observação na pesquisa de 2008 foi a de que

86% dos entrevistados não adotavam nenhuma forma de certificação.

A pesquisa do Sebrae de 2021, 23 anos depois, identificou que 50% dos entrevistados possuem algum tipo de certificação.

Quanto à gestão das propriedades

Em 78% dos casos os proprietários administram diretamente a propriedade e 14% contratam gerentes/administradores. Dados próximos aos do IBGE no censo de 2017.

A assertiva 1 da pesquisa de 2008 apresentada aos produtores, “O desempenho do negócio depende muito da dedicação do produtor”, foi a que teve maior índice de respostas em “concordo totalmente”.

Outras assertivas: “o negócio vai bem porque é o produtor quem negocia com os clientes” e “o negócio vai bem porque é o produtor quem negocia com os fornecedores” também apresentaram alto índice de concordância. Ou seja, os produtores percebem que a sua participação é fundamental no desempenho do agronegócio.

-Quanto a comercialização do café     

82% dos entrevistados optou pela venda à vista. 36% dos entrevistados pela venda de café com contrato de troca de insumos e foi adotado, entretanto, com representatividade de apenas 5% do volume total da amostra.

A pesquisa CafePoint/CNA de 2018 identificou que 64% dos respondentes não realizam a venda futura da produção. Ou seja, percebe-se ainda uma prevalência de comercialização no momento da colheita ou após algum tempo de armazenamento com posterior comercialização no mercado físico.

O boletim de pesquisas de Maio/21 da UdC Brasil revisitou a pesquisa sobre contratos de suprimento de cafés. Entrevistas apontaram que há tendência de aumento do volume de contratos a termo, no entanto, esta prática comercial varia de acordo com a região. No cerrado mineiro é uma prática comum. Já na região das Matas de Minas observa-se menos contratos a termo, estimando-se  que seja realizado por 15 a 20% dos produtores.

Considerando as oscilações de preço no mercado internacional de café, a comercialização futura é um mecanismo importante para gestão de risco e garantia da renda, mas necessita de um conhecimento detalhado  dos custos de produção.

Outro fato interessante, a pesquisa verificou uma concentração em poucos compradores no momento da comercialização.

Encontrou também relações comerciais   longevas com duração média de 13 anos,

devida principalmente a: agilidade; amizade; armazenagem; assistência técnica; atendimento; bom relacionamento; certificação; troca por insumos; comodidade/facilidade; condições comerciais, entre outros.

Importante observar que, quanto maior o tempo de relacionamento, menor o peso da variável “preço”. A armazenagem e a assistência técnica oferecida ao produtor ganham importância quanto maior o tempo de relacionamento.

Estes resultados estão alinhados com o que diz a teoria. Nos contratos relacionais de longo prazo as partes se protegem das flutuações de preço, o que traz garantia de fornecimento para o comprador e sustentabilidade econômica para o cafeicultor.

Quando perguntados sobre o risco percebido, as variáveis de destaque foram: políticas públicas incorretas para o setor como: câmbio, tributação, financiamento da safra”, e também variáveis não controláveis como  “grande variação do preço do café” e “perda por fatores naturais (excesso de chuva, seca etc.)”.

Identificou-se que 84% dos produtores são pessoas físicas para as movimentações do negócio. Não identificamos outras pesquisas que possam contrastar ou mostrar tendências de mudança para esta variável.

Principais conclusões sobre os temas revisitados

Apesar das limitações de generalização de resultados, esta pesquisa reuniu as principais características do perfil do produtor de café no Brasil. Foram apontados comportamentos de decisão sobre o manejo de sua propriedade, sobre fontes de financiamento, sobre comercialização e até sobre a influência da família do produtor na continuidade do negócio.

4 pontos merecem destaque:

– Produtores procuram e prezam por relações de longo prazo, pois estas trazem segurança em relação às flutuações de preço e riscos de forma geral.

– A participação do próprio proprietário é vista como fundamental no desempenho do negócio.

– O produtor percebe que adquire um conhecimento próprio que precisa ser passado para seus herdeiros como forma de garantir a continuidade do negócio.

– Indicam que a exposição ao risco se concentra em variáveis não-controláveis

A pesquisa completa pode ser encontrada em www.universidadedocafe.com


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2021

Podcast UDC #4 A Nova Assistência Técnica Agrícola

 

Podcast Universidade do café Brasil -Uma nova forma de comunicar nossas pesquisas

 

Olá .  Apresentamos a pesquisa A NOVA ASSISTÊNCIA TÉCNICA AGRÍCOLA,  Trabalho realizado em 2019.

Essa pesquisa foi motivada pelas transformações pelas quais passam os agronegócios, impactando diretamente a produção agropecuária. Essas transformações, de cunho tecnológico, têm relação com o avanço da tecnologia informacional (TI) no campo, induzida pelo aparecimento em todo o mundo de start-ups ligadas ao tema dos agronegócios.

Ficamos inquietos e nossas perguntas eram como avaliaríamos os diferentes sistemas de extensão e AT existentes considerando os padrões de evolução e as relações entre eles no sistema agroindustrial, especialmente com produtores rurais.

Destacamos então três objetivos principais:

*Provocar um debate a respeito da necessidade de sistemas públicos e privados de assistência técnica e extensão agrícola, identificando as instituições que balizam o funcionamento dos mercados de insumos, dadas as dimensões da agricultura brasileira.

* Verificar as demandas das várias agriculturas e produtores heterogêneos, que pedem sistemas tecnológicos específicos para suas necessidades.

*Recolocar o tema da assistência técnica agrícola no quadro da evolução de tecnologias disruptivas que alteram as relações de produção na agricultura.

Há uma corrida em direção às novas tecnologias e uma ânsia represada dos produtores em obtê-las. De outro lado, o sistema privado de grandes empresas de insumos acena aos produtores com a introdução dessas novas tecnologias procurando fidelizá-los aos seus produtos e oferecendo como contrapartida tecnologia informacional de controle e gestão de suas atividades.

O sistema público de extensão rural e as cooperativas têm procurado servir de tradutores e intérpretes da real valia dessas tecnologias, em paralelo a esse momento de euforia tecnológica.

Essa função de tutoria é fundamental para os produtores, principalmente aqueles com menor escala de produção, que podem recorrer a esses agentes para auxiliá-los em escolhas de novas tecnologias, e interpretar as tendências e mudanças.

Dada a carência de políticas públicas que cuidem do tema há uma necessidade premente de assistência técnica e extensão rural. Esse assunto ficou no limbo nos últimos dez anos em face da desatenção do Estado.

Chegou-se a supor que os produtores não necessitassem mais de ATER, pois supririam suas necessidades com entidades privadas e consultores autônomos.

A discrepância entre médias de produção entre regiões, categorias de produtores e tecnologias adotadas é outra das razões da necessidade de ATEr.

Há também a desigualdade em relação ao acesso a tecnologias. Um dado a ser destacado na pesquisa foi a constatação que, de acordo com o censo de 2017, apenas dez por cento das propriedades geram oitenta e seis por cento do valor total da produção agropecuária.

Com esse desequilíbrio de acesso à tecnologia e ao crédito, a transferência de tecnologia de agricultura de precisão ainda não é uma realidade para a maioria dos produtores.

A pesquisa identificou pouca familiaridade dos extensionistas oficiais e dos produtores sobre tecnologias que reduzem custos.

Conclui-se que todos os produtores necessitam de ATER, tanto o produtor tecnificado visando a nova agricultura 4.0 e 5.0, quanto os produtores de subsistência visando incorporar renda e melhorar as condições de vida das famílias.

Conclusões e desdobramentos atuais

Em função da heterogeneidade no setor agrícola Brasileiro, cada modalidade de produção, de produtor e de região necessita atenção especial.

As Universidades têm um potencial inexplorado nas funções de ATER e poderiam, por meio de programas piloto, baseados em modelos inovadores e adequados às tecnologias emergentes, atender uma gama variada de demandas.

Há um potencial para integração de modelos de ATER públicos e privados.

Necessitam-se de programas de investimento em tecnologias de comunicação digital com foco em ATER, para tornar mais eficiente e abrangente o atendimento de demandas tão diversificadas. Para isso o mapeamento de ações focalizando agricultura 4.0 e além seria importante.

As proposições da pesquisa foram:

  1. Protocolos de ações orientativas para os serviços de ATER que considerassem a tipificação da agricultura local
  2. Repensar a ATER: um modelo-piloto incorporando a ação das universidades, instituições de pesquisa, cooperativas e corporações privadas
  3. Articulação das parcerias entre os diversos modelos de ATER. Pública-Órgãos e Universidades, Cooperativas, indústria de alimentos e insumos, consultores independentes.
  4. Ações coletivas a partir de grupos existentes-Educampo, Ater coletiva, CREAs
  5. Conectividade urgente no campo.
  6. Investimentos em tecnologias de comunicação digital e ações com foco na agricultura 4.0

Após recentes consultas a especialistas em ATER, não houve grandes modificações entre 2019 e 2021 relativamente ao elenco de proposições acima.

Aparentemente o processo de descontinuação das Casas de Agricultura no Estado de São Paulo foi paralisado e as modificações do sistema de ATER público, tomará um outro rumo. Porém continua no rol das prioridades a reorganização do sistema por meio de eixos estruturantes e definição de prioridades.

Em Minas Gerais houve recentemente um concurso para contratação de 200 técnicos agrícolas para a Emater MG e há a previsão para novas contratações, o que enseja boas novas. Há uma parceria entre Emater-MG com a Embrapa para desenvolvimento de técnicas de agricultura de precisão voltadas para agricultura familiar.

O atendimento ao produtor começa a ser feito com novas ferramentas (para aqueles que estão na rede internet) em ambos os estados. É tempo de dedicar atenção à assistência técnica e extensão rural pelas várias instâncias de poder.

À guisa de conclusões sugerimos a preparação de modelos de ATER e aplicação de ações piloto em ambientes diversos para validação e definição do modelo mais adequado. O modelo antigo possui sim deficiências e carece de modernização, mas sua extinção (ou morte por inanição) é extremamente prejudicial aos agricultores que precisam de Assistência técnica e extensão rural pública de qualidade.

A pesquisa completa foi publicada no Volume 10 dos Cadernos da Universidade do Café está disponível para download na página: http://universidadedocafe.com/


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2021

PODCAST UDC #3 Pesquisa: Estratégias contratuais de suprimento de cafés de alta qualidade.

 

Podcast Universidade do Café Brasil -Uma nova forma de comunicar nossas pesquisas.

Olá! Apresentamos neste Podcast a pesquisa Estratégias contratuais de suprimento de cafés de alta qualidade, uma pesquisa que desenvolvemos em 2015. Há mais de 30 anos o Pensa tem estudado as relações contratuais na agricultura e na cafeicultura de um modo especial.

Nos anos 1990 o Brasil passou por um período de transição na desregulamentação da agricultura. As mudanças representaram oportunidades para os produtores que, em muitos casos, passaram a ser procurados por empresas que necessitavam de cafés com características padronizadas, de alta qualidade num ritmo constante de fornecimento. A illycaffè desembarcou no Brasil nessa época e, de forma pioneira, começou a procurar produtores tradicionais em busca do café que necessitava. A illy passou a oferecer um bônus de preço por saca acima dos padrões mais altos do mercado para aqueles que se comprometiam a ofertar lotes dentro dos padrões exigidos. Com o tempo, vendo o acerto desta estratégia, outras empresas iniciaram seus processos de aquisições envolvendo padrões e estabelecendo preços motivadores para seu produto. O mercado do café no Brasil tomou uma dinâmica diferente daquela que predominou ao longo da história e nunca mais foi como antes.

A questão contratual

Para melhor entender a questão dos contratos na atualidade, a UDC Brasil contatou um grupo de produtores para rever alguns pontos de sua pesquisa. A seguir apresentaremos os principais resultados.

Praticamente todos os produtores reconhecem a importância dos contratos que definem preços de antemão com o compromisso do produtor fornecer um determinado padrão de produto.

Alguns já fazem essa prática há mais de vinte anos, com tendência de aumento do volume de contratos a termo. Na região do cerrado a prática dos contratos é comum. O perfil destes produtores é muito diferente daqueles que praticam mais as vendas pelo sistema “spot”. Este produtor que vende a termo normalmente já está estabilizado financeiramente, conhece seus custos de produção e busca as melhores oportunidades para colocar seus cafés no mercado. A prática de venda “spot” vem diminuindo e quando a safra do cerrado começa, mais de 30% do café já foi vendido.

A prática dos contratos que fixam preços para cafés de qualidade nem sempre é formalizada, ocorrendo também os chamados “contratos relacionais” nos quais as partes estabelecem reputação e têm interesse na continuidade do relacionamento ao longo do tempo. Quando existem flutuações de preços, ou quebra de qualidade, as partes do contrato mantêm o relacionamento, protegendo a relação com vistas ao longo prazo. Cabe destacar ainda que os produtores, por terem produção heterogênea, vendem no mercado spot parte da sua produção, o que é importante para gerenciar o fluxo de caixa, permitido pela liquidez elevada do café. O fato é que esses contratos trazem sustentabilidade econômica ao negócio garantindo a renda do produtor.

Já na região das Matas de Minas, observa-se menos contratos a termo, entretanto o número de produtores que fecham contratos para entrega futura tem aumentado e já se veem contratos para 2022 e 2023.

As empresas compradoras se interessam em desenvolver o relacionamento com produtores de cafés diferenciados de modo a conhecê-los melhor, estreitar os laços comerciais e reduzir incertezas de quebras contratuais de parte a parte.

Foi destacado que na região do Sul de Minas os contratos informais são importantes, constituindo-se em contratos relacionais de longo prazo com clientes internacionais. Esses clientes têm adquirido, a exemplo de outras regiões, lotes já fechados na quantidade e qualidade, há anos seguidos, demonstrando a resiliência desse tipo de comercialização.

Valido para as três regiões, os contratos no café continuam a seguir o mote de: “contrato feito, contrato honrado”. Muitas das cooperativas incentivam seus associados a cumprirem a entrega do que foi contratado em termos de quantidade e qualidade.

Um fato a ser notado é que boa parte dos contratos é feita diretamente com compradores internacionais e exportadores. Não são comuns os contratos feitos diretamente entre produtores e indústrias brasileiras. Essa falta de proteção de preços pode levar à problemas de abastecimento, principalmente em épocas de alta volatilidade de preços do mercado.

Finalmente os contratos de barter ou trocas. Empresas de insumos também criaram sistemas de agregação de valor aos cafés. Dessa forma o produtor não faz apenas uma Operação de troca de commodity por insumo, mas tem a visibilidade e rastreabilidade do café que produz com atributos de qualidade como aparência, notas de bebidas e peneiras. Ou seja, o produtor supre suas necessidades de insumos para a produção, utilizando-se dessa forma contratual diferenciada.

 Como principais conclusões temos que:

– O volume de cafés comercializados via contratos aumenta em todas as regiões produtoras.

-O barter ( trocas) tem aumentado também, produtores se abastecem dos insumos necessários, obtendo bons resultados nas vendas dos cafés de qualidade.

-Observam-se as seguintes vantagens ao se realizar contratos a termo:

*Obter o travamento de preços tanto para os produtores quanto para a indústria.

*Obter redução de riscos, não ficando à mercê da volatilização do mercado.

*Manter as relações de confiança, reputação e fidelização.

Os resultados reforçam que cafeicultores cada vez mais tem buscado instrumentos financeiros com intuito de reduzir o risco da atividade.

Esta pesquisa foi publicada no Volume 8 dos Cadernos da universidade do café Brasil. Este e os demais volumes estão disponíveis para download em nosso site universidadedocafe.com


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2021

BOLETIM DE PESQUISAS: A NOVA ASSISTÊNCIA TÉCNICA AGRICOLA

Apresentamos neste mês o Boletim de pesquisas no. 4 sobre a assistência técnica agrícola. Esta é uma iniciativa da Universidade do Café Brasil/Pensa com intuito de divulgar as pesquisas realizadas ao longo do tempo.
O arquivo está disponível para download no link abaixo.

 Boletim de Pesquisas Junho_ATER 2021


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2021

PODCAST UDC #2 Pesquisa Direcionadores de mudança na cafeicultura

 

Podcast Universidade do Café Brasil -Uma nova forma de comunicar nossas pesquisas

Olá! Apresentamos neste Podcast a pesquisa Direcionadores de Mudança na Cafeicultura, uma pesquisa que realizamos em 2015. Como resultado do dinamismo da cafeicultura, alguns direcionadores mudaram desde então. Com o objetivo de analisar essas novas tendências, a UDC Brasil consultou especialistas e gerou uma visão reformulada, destinada a introduzir outros temas na discussão das transformações do agronegócio café.

Após o início da pandemia uma parcela significativa da população mundial teve que alterar os seus hábitos de consumo, o que gerou mudanças no ambiente do agronegócio do café. A análise do sistema agroindustrial (SAG) permite verificar como cada segmento foi afetado. A partir desta metodologia identificamos os principais direcionadores de mudanças.

Iniciaremos a análise pelo consumidor final, que tem um papel fundamental nos sistemas agroindustriais. Na pandemia sua importância aumentou ainda mais, uma vez que parte relevante do consumo fora do lar foi substituído pelo consumo doméstico. Ao se considerar as várias categorias de consumidores, vale ressaltar o chamado consumidor barista, grupo formado por consumidores que passaram a substituir o consumo em bares, restaurantes e cafés pelo consumo caseiro. Ao trazer a cafeteria para o ambiente doméstico eles alteram o padrão de distribuição. São consumidores exigentes, que demandam qualidade, rastreabilidade, informação e sanidade nos cafés que consomem.

Sobre o mercado internacional podemos ressaltar que está se consolidando um mercado sem precedentes em regiões fora da esfera tradicional de consumo. Regiões como Oriente Médio, Norte da África, Sudeste Asiático, Indonésia e China juntas somam cerca de 2,4 bilhões de pessoas. São regiões com potencial de crescimento em face da numerosa população e aumento de renda. Os efeitos de crescimento percentual ainda que pequenos representam grandes volumes no consumo do café.

A tecnologia informacional foi destacada como um direcionador a partir do impulso provocado no e-commerce e de start-ups de logística. As redes sociais passaram a ser opções de comercialização direta entre produtores e consumidores.

Na indústria brasileira, os direcionadores passam pela diversificação das vendas por meio de canais alternativos para diferentes segmentos de mercado.

Na produção agrícola os direcionadores de mudança estão relacionados ao atendimento das novas exigências dos mercados consumidores como os fatores socioambientais e de qualidade. A pandemia trouxe a necessidade de implementação de rígidos protocolos de higiene. Este é um desafio, principalmente na época da colheita. As atividades de Assistência técnica e extensão rural não foram interrompidas, mas sempre que possível são realizadas remotamente.

Observa-se um movimento de aumento de volume de vendas diretas de produtores do Brasil para cafeterias internacionais, de modo particular pequenas cafeterias que operam no segmento de cafés especiais.

Em relação à indústria de insumos, as restrições aos princípios ativos de defensivos por países importadores é um direcionador de mudança relevante. A perda do valor do real frente ao dólar teve múltiplos efeitos na produção, de um lado aumenta o valor do produto exportado, de outro, encarece os insumos, reduzindo sua utilização.

Como considerações finais, podemos dizer que ainda é cedo para se ter clareza das tendências no cenário pós pandemia. No entanto, algumas percepções podem ser destacadas.

Na tipologia dos direcionadores temos macrotendências e microdirecionadores.

Dentre as macrotendências citamos a questão dos consumidores. Nos parece clara a sua influência nas estratégias das indústrias e distribuidores. O chamado consumidor barista cresce no segmento de cafés especiais. Também cresce a diversificação nas linhas de cafés ofertados, atendendo a todos os gostos dos consumidores. O mercado internacional, direcionado a regiões e países consumidores não tradicionais parece se constituir em tendência que pode mudar o eixo de vendas no médio prazo.

A Tecnologia Informacional auxiliou a alavancagem de vendas via e-commerce.

No que diz respeito aos microdirecionadores destacamos:

-Exigências de qualidade, origem conhecida e sanidade.

-E a Desvalorização do real frente ao dólar abrindo portas para substituição de insumos importados por produtos biológicos nacionais.

Como se vê as modificações dos direcionadores de mudanças no sistema agroindustrial do café passaram por alterações causadas por preferências dos consumidores, pandemia, mudanças na oferta, diversificação de produtos, avanço tecnológico, barateamento de máquinas de preparo de café entre outras. Essas mudanças podem permanecer para o futuro com ou sem alongamento das restrições da pandemia. É uma questão de continuarmos observando.

Esta pesquisa foi publicada no volume 8 dos Cadernos da Universidade do Café. Este e os demais volumes estão disponíveis para download em nosso site universidadedocafe.com


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